A reforma tributária de 2026 marca um ponto de inflexão decisivo para a hotelaria brasileira. O hoteleiro nacional, historicamente resiliente diante de crises cambiais, políticas, climáticas e, mais recentemente, sanitárias, encara agora um cenário de profunda transformação fiscal e operacional. A resiliência, nesse setor, já é quase uma característica genética, moldada pela sobrevivência constante em ambientes adversos.
Contudo, 2026 não representa apenas mais uma etapa de resistência. Este é o ano em que o setor se vê diante de uma tempestade perfeita. A extinção dos incentivos fiscais do PERSE. Bem como, os efeitos da transição prática da reforma tributária e a reconfiguração da relação entre capital e trabalho impõem novos parâmetros de atuação. Em um país conhecido por ter uma das cargas tributárias mais complexas do mundo, a promessa de simplificação vem acompanhada de incertezas. Principalmente quanto à previsibilidade de custos e à competitividade.
Se os anos de 2024 e 2025 serviram para recompor o caixa e ajustar estratégias, 2026 exigirá o teste definitivo da eficiência operacional. Veja a seguir alguns indicadores:

Dados de mercado – Panorama 2025
- Ocupação média: +2,1% no acumulado (FOHB)
- ADR (diária média): crescimento de 10,9% (FOHB)
- RevPAR: aumento de 13,2% (FOHB)
- Inflação oficial (IPCA): fechou em 4,68% (IBGE)
- Inflação de serviços: acumulada em 6,2% nos últimos 12 meses (IBGE)
- Câmbio projetado para 2026: dólar em torno de R$ 5,50, sujeito à volatilidade eleitoral
Esses números reforçam que, embora a demanda tenha demonstrado sinais consistentes de recuperação, o setor inicia este ano com margens comprimidas por custos crescentes e pela rigidez tributária. Assim, o ano de 2026 não é apenas um marco no calendário econômico. Ele representa o verdadeiro teste de estresse para a resiliência da hotelaria brasileira.
Estamos diante de uma conjuntura rara. Ou seja, a implementação do IVA Dual (CBS e IBS), o fim do PERSE, a influência de 11 feriados prolongados e o impacto da Copa do Mundo sobre a produtividade. Tudo isso ocorre em meio à instabilidade de um ano eleitoral, acentuando a complexidade do momento.
Para o gestor de meios de hospedagem, o recado é claro: a era do lucro fundamentado exclusivamente na alta ocupação chegou ao fim. A rentabilidade e a sobrevivência, nos próximos doze meses, dependerão da precisão na gestão de margens. Bem como, da agilidade fiscal e da capacidade de reposicionar a força de trabalho com inteligência.

Reforma tributária: O fim do PERSE e o desafio da “alíquota de teste”
A partir deste mês, a hotelaria nacional sai de uma relativa zona de conforto fiscal. O fim do benefício do PERSE impõe a reoneração de tributos como PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Dessa forma, afetando diretamente o fluxo de caixa que, em muitos empreendimentos, era utilizado para investimentos em modernização e melhorias operacionais.
Paralelamente, inicia-se o período de teste do novo sistema criado pela reforma tributária. Com a aplicação das alíquotas iniciais de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS. Embora os percentuais ainda sejam baixos, a atenção precisa ser imediata. Sendo assim, o risco central não está na carga tributária atual, mas sim nos erros de conformidade que podem gerar passivos relevantes no futuro.
Para hotéis das categorias Midscale e Luxo, o grande desafio é a vedação de créditos tributários vinculados ao consumo final das empresas contratantes. Isso pode encarecer os contratos corporativos em até 10%, caso não haja uma renegociação estratégica ancorada em valor agregado e diferenciação.
Dessa forma, a reforma tributária traz impactos que vão muito além da esfera contábil. Ela exige uma nova postura de planejamento e uma capacidade mais técnica de gestão de contratos, precificação e relacionamento B2B.
Gestão de operações em um ano de extremos
O calendário de 2026 representa, para o setor de hospedagem, um verdadeiro desafio de planejamento estratégico. Se não for trabalhado com assertividade, transforma-se em um convite ao erro. Com nove feriados nacionais caindo em dias úteis — a maioria com possibilidade de prolongamento — somados ao impacto global da Copa do Mundo, a volatilidade da demanda será intensa e imprevisível.
- Hotéis Econômicos devem priorizar o conceito de Total Revenue Management. Diante de custos fixos pressionados pela inflação de serviços, cada centavo economizado em automação de check-in ou serviços terceirizados fará diferença no resultado final.
- Pousadas e Short Term Rentals (STR) passam agora a enfrentar um novo cenário. A reforma tributária altera as regras do jogo, uma vez que a tributação que antes beneficiava essas operações passa a se assemelhar à aplicada à hotelaria tradicional. Com isso, desaparece a vantagem competitiva do “imposto zero” das plataformas de aluguel. Ou seja, nivelando o campo de jogo em termos de custos. Mas exigindo, por outro lado, maior profissionalização na gestão fiscal, sobretudo para negócios de perfil familiar.
- Hotéis Midscale vivem a pressão constante de entregar diferenciação e manter padrões internacionais sem elevar as tarifas, em um ambiente de custos crescentes.
- Hotéis de Luxo enfrentam a exigência de manter um alto padrão de serviço com margens mais estreitas, onde há menos espaço para repasse de custos ao cliente final.
- Empreendimentos de Multipropriedade dependem da previsibilidade fiscal como elemento central para atrair investidores, e, nesse sentido, a reforma tributária adiciona um componente importante de atenção e ajuste estratégico.

O fator humano: além da escala 6×1
A discussão sobre o fim da jornada 6×1 transcende a área de Recursos Humanos. Trata-se de uma questão estrutural, que impacta diretamente o desenho do produto, o nível de serviço e os custos operacionais relacionados. Em um setor em que a entrega do serviço é, em si, o principal ativo, reduzir jornadas sem repensar processos e fluxos é um erro que pode comprometer a experiência do cliente e os resultados financeiros.
- Tecnologia como anteparo: soluções de autoatendimento e automação deixam de ser diferenciais e passam a ser ferramentas indispensáveis para liberar a equipe para tarefas que realmente agregam valor percebido.
- Gargalo da mão de obra: a competição por talentos com setores menos estressantes se intensifica. Nesse contexto, otimizar processos de governança e A&B com suporte técnico torna-se urgente. Sem isso, o aumento da folha somado à nova carga tributária tende a corroer margens e comprometer a sustentabilidade do negócio.
Matriz de Riscos e Oportunidades na Hotelaria Brasileira (2026)

Nesse contexto, o papel do consultor junto ao gestor de meios de hospedagem torna-se mais relevante do que nunca. É necessário atuar como um verdadeiro arquiteto de margens. O sucesso em 2026 não virá para quem apenas vender mais quartos, mas sim para quem souber navegar pelas exigências da reforma tributária e pelo novo ambiente de negócios sem perder o controle dos custos.
Este é o momento em que a hotelaria deixa de ser apenas um setor de hospitalidade para se consolidar como um negócio de alta performance financeira e excelência operacional.
A partir de agora, consultoria especializada em vendas, marketing e gestão deixa de ser um “custo extra” e passa a ser uma salvaguarda estratégica contra decisões imprecisas. O improviso, baseado na intuição ou em percepções momentâneas de mercado, não se sustenta mais. É necessária uma modelagem robusta para antecipar o impacto da tributação no preço final, assim como uma consultoria operacional capaz de redesenhar escalas e processos sem comprometer a entrega do serviço.
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Plano de ação: adequação tributária e operacional
Para que os meios de hospedagem atravessem 2026 de forma sustentável, é essencial estruturar a gestão sobre três pilares fundamentais. Todos eles devem ser vistos sob a ótica da adaptação à nova realidade imposta pela reforma tributária, ao mesmo tempo, em que fortalecem a eficiência operacional e a tomada de decisão.
- Auditoria de transição
É fundamental contratar uma consultoria especializada para realizar um gap analysis tributário. É preciso simular, agora, o impacto do IVA Dual no DRE previsto para 2027 e 2028, enquanto ainda existe margem para ajustes na precificação. Além disso, atenção especial deve ser dada ao sistema de “split payment” (pagamento fracionado), no qual o imposto é recolhido diretamente no momento da transação. Essa nova dinâmica impactará a escolha de fornecedores, exigindo que se avalie não apenas o preço, mas também o crédito gerado na operação de compra e venda. - Revisão do modelo de escala
Com o avanço do debate sobre o fim da jornada 6×1, os gestores devem se antecipar à implantação de novos formatos de jornada, como o 5×2 ou modelos flexíveis. A utilização de consultorias especializadas em RH e gestão torna-se decisiva para redesenhar fluxos de governança, definir indicadores, planejar treinamentos e garantir que a redução de dias trabalhados não comprometa os padrões de serviço e hospitalidade. - Investimento em data analytics
Em um ano marcado por picos de demanda (feriados) e vales (incerteza eleitoral), o uso de Revenue Management estático se torna arriscado. Será essencial prever o comportamento do consumidor com base em dados em tempo real, equilibrando ADR (Tarifa Média) e RevPAR de forma inteligente e responsiva.
O ano de 2026 será um divisor de águas para a hotelaria brasileira com a reforma tributária
O ano de 2026 representa um verdadeiro divisor de águas para a hotelaria brasileira. A convergência entre reforma tributária, fim do PERSE, gargalos de mão de obra e uma sazonalidade extrema exigirá dos gestores uma postura mais estratégica, proativa e técnica. A eficiência, sem abrir mão da qualidade, será o principal diferencial competitivo.
Empreendimentos de todos os portes — hotéis econômicos, midscale, luxo, multipropriedades, pousadas e short-term rentals — precisarão reinventar sua operação. Em um Brasil marcado por volatilidade econômica e um novo regime tributário, o controle de caixa precisa ser rigoroso, evitando riscos de liquidez e perdas estruturais.
Nesse novo cenário, a consultoria especializada em vendas, marketing e gestão hoteleira deixa de ser opcional. Ela passa a ser uma aliada estratégica fundamental para transformar riscos em oportunidades, corrigir rotas com agilidade e garantir que o setor hoteleiro preserve sua relevância, mesmo em um dos períodos mais desafiadores de sua história.
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Baseado em informações do meu artigo no site da Revista Hotéis: https://revistahoteis.com.br/o-ano-da-grande-travessia-entre-a-eficiencia-e-a-reforma-tributaria/

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