A formação em turismo sustentável é um eixo prioritário nos centros mais avançados de qualificação no setor turístico mundial. Em países como Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul, universidades e escolas técnicas já oferecem programas que integram sustentabilidade ambiental, gestão de destinos regenerativos, inovação digital e economia circular.
Nesses contextos, a sustentabilidade não é um selo nem um diferencial simbólico, mas a base estrutural para o desenvolvimento de negócios turísticos competitivos e de longo prazo.
No Brasil, a realidade do turismo sustentável segue em descompasso
A maioria dos cursos superiores em turismo opera em uma lógica pouco conectada ao mercado, com escassa aplicação prática e pouca inserção territorial. Raríssimas as formações que articulam de maneira concreta temas como turismo responsável, educação para sustentabilidade e desenvolvimento regenerativo. Na prática, forma-se um contingente de profissionais conscientes em teoria, mas despreparados para transformar discurso em ação no cotidiano dos destinos.
Essa lacuna se estende para além da sala de aula. No mercado, observa-se uma crescente banalização da linguagem sustentável. Iniciativas de marketing verde ganham espaço mesmo quando a operação turística ignora princípios básicos de preservação ambiental, gestão social e eficiência de recursos. Essa disparidade gera descrédito, esvazia o termo sustentabilidade e compromete a confiança de um público cada vez mais atento à coerência entre fala e prática.
Sem uma base educacional sólida, os destinos turísticos enfrentam um dilema: ou se estruturam com base empírica, assumindo riscos altos de erros recorrentes, ou permanecem invisíveis, mesmo tendo potencial. A formação deixa de ser uma etapa isolada do processo de profissionalização e é determinante para um território conseguir se posicionar, gerar valor e crescer com responsabilidade. Hoje, o que falta não é consciência ambiental, mas capacidade técnica, visão estratégica e articulação entre academia, território e mercado.

Quando a formação em turismo falha, o território paga o preço
A ausência de uma formação em turismo sustentável qualificada e conectada à realidade brasileira impõe consequências estruturais para o desenvolvimento do setor. O impacto vai muito além da formação individual dos profissionais.
Ele afeta diretamente os territórios turísticos, que continuam a crescer sem planejamento, a explorar recursos sem critérios claros de gestão e a perder oportunidades de se posicionar em um mercado global que valoriza práticas sustentáveis, inclusivas e de longo prazo.
Sem capacitação técnica, empreendedores locais acabam operando no improviso. Não há domínio sobre conceitos como gestão de impacto, uso consciente do território, economia circular ou hospitalidade regenerativa.
O resultado disso são negócios frágeis, com baixa resiliência, que se tornam vulneráveis às oscilações do mercado e às pressões externas. Muitas iniciativas com alto potencial territorial não prosperam porque seus líderes não têm acesso às ferramentas de planejamento e inovação que deveriam estar presentes desde a base educacional.
Esse vazio formativo também atinge os gestores públicos
Sem acesso a uma educação estratégica voltada à sustentabilidade aplicada ao turismo, secretarias de turismo seguem apostando em soluções imediatistas. Projetos ambientais são vistos como custo, e não como ativo. Experiências comunitárias não são integradas à cadeia formal do destino. Áreas naturais continuam sendo vendidas como “paisagem”, sem que se compreenda seu papel central na regeneração ecológica e no posicionamento mercadológico do território.
Em paralelo, comunidades tradicionais e empreendimentos familiares seguem à margem das transformações do setor. O que poderia ser um processo de inclusão produtiva, quando não é orientado com sensibilidade e técnica, transforma-se em sobrecarga, descaracterização cultural ou exploração indevida de saberes locais. A ausência de uma política educacional voltada ao turismo responsável acaba, ironicamente, expondo esses grupos às mesmas dinâmicas que o discurso sustentável deveria combater.
Além disso, sem profissionais preparados para traduzir a linguagem da sustentabilidade em ações concretas, o discurso ambiental segue esvaziado. O mercado reproduz estratégias de comunicação vazias, com termos como ecoturismo, preservação, experiência autêntica ou impacto positivo sendo utilizados apenas como iscas de marketing.
Isso compromete a credibilidade das marcas, afasta o novo perfil de viajante e impede que iniciativas legítimas ganhem visibilidade e escala.
Em síntese, onde falta qualificação, falta estratégia. E onde não há estratégia, o desenvolvimento é curto, frágil e desigual.

Como articulamos conhecimento, território e estratégia para a formação em turismo sustentável
Nossa atuação para o turismo sustentável nasce do reconhecimento de uma lacuna crônica no turismo brasileiro: a distância entre o saber técnico e a realidade dos destinos.
O objetivo é claro: transformar conhecimento em ferramenta de desenvolvimento territorial. Em um cenário onde a maioria das formações ainda falha em conectar teoria à realidade dos destinos.
O nosso papel é justamente educar para construir essas pontes. Atuamos como elo entre a inteligência técnica e o chão do território, onde as decisões são tomadas e os impactos são sentidos.
Já em regiões onde comunidades, empreendedores ou gestores públicos desejam operar de forma mais sustentável, mas não sabem por onde começar, assumimos o papel de inteligência estratégica. Acompanhamos de perto os desafios locais, compreendemos as dinâmicas socioeconômicas e ambientais envolvidas e, a partir disso, estruturamos caminhos viáveis, personalizados e financeiramente sustentáveis.
Esse processo inclui avaliar cenários, redesenhar produtos, reorganizar fluxos de visitação, desenvolver narrativas autênticas e reposicionar marcas de acordo com tendências globais de turismo regenerativo e turismo responsável. Muitas vezes, basta reorganizar o que já existe, articular o que está disperso e iluminar o que estava invisível. A transformação não exige ruptura, mas estrutura.
A sustentabilidade, para nós, não é um diferencial de marketing nem uma resposta pontual à pressão do mercado.
É uma lógica de atuação. Ela está presente no modo como os produtos turísticos são pensados, nos critérios que orientam a hospitalidade, na governança das cadeias produtivas e na maneira como as comunidades se relacionam com o visitante.
E essa lógica só se concretiza quando há método. Quando cada ação parte de um diagnóstico territorial profundo, quando as soluções são desenhadas com coerência entre vocação e viabilidade, e quando os discursos estão alinhados à prática cotidiana. A estrutura não deve sufocar o território, mas organizá-lo para que ele possa crescer com autonomia, consistência e relevância.
Quando articularmos educação, estratégia e mercado, não atuamos com um modelo pronto. Criamos soluções únicas para realidades únicas, com inteligência aplicada e impacto mensurável.
O desenvolvimento turístico sustentável começa quando se olha o território com precisão, respeito e visão de futuro.
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Concluindo,
Por fim, discutir a formação em turismo sustentável no Brasil é tocar em um ponto essencial para o futuro dos destinos turísticos. Enquanto o mundo avança com estruturas educacionais robustas, integradas ao mercado e voltadas à ação concreta, o país ainda se mantém preso a discursos genéricos. Com práticas isoladas e uma formação que, geralmente, ignora as complexidades do território.
Essa lacuna compromete o crescimento qualificado do setor, fragiliza a atuação de empreendedores e gestores públicos, e mantém comunidades inteiras afastadas de um processo de desenvolvimento que poderia ser mais justo, mais inteligente e mais duradouro. Ou seja, não basta querer um turismo sustentável. é preciso construir a base para que ele aconteça de forma legítima.
Portanto, a urgência está posta. E o caminho exige método, articulação e estratégia. Atuamos justamente nesse espaço: transformando intenção em estrutura, e estrutura em resultado.
Entre em contato e vamos juntos desenhar projetos que levem a sustentabilidade do papel para o território, com inteligência, impacto e ação.

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